O Herói Improvável da Sala 13B

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Aqui está um livro que demorei muito para ler, não porque foi uma leitura ruim, de jeito nenhum, eu adorei o livro. Eu estava passando por um momento de ressaca literária e por isso não consegui me envolver com o livro logo de primeira, mas voltei a ler depois de alguns meses e foi uma leitura ótima. 

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Nessa história conhecemos Adam, um menino de 14 anos que tem TOC. Esse é um assunto que acho bem interessante, pois é algo que eu nunca tinha lido sobre e acredito que muitas pessoas também não, é um tema que deve ser explorado para podermos compreender melhor, foi uma leitura de grande aprendizado.

Adam (Batman) está em grupo de apoio onde ele conhece Robin, ele não entende porque ele é “assim” e a partir do momento que conhece Robin decide melhorar, ajudar sua Robin e viver um romance com ela. Muitas questões são abordadas e o TOC é mostrado em níveis diferentes. A história é bem centrada no Adam, apesar de ser contada em terceira pessoa, mas sabe aquele livro que você sente que conheceu as personagens, mesmo sendo centrado em apenas uma?

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No grupo cada pessoa é chamada pelo nome de um herói e adorei isso, pois em maior parte da história não vemos os nomes verdadeiros e sim os nomes de heróis. Além do grupo Adam tem que lidar com sua mãe que vem recebendo cartas anônimas a ameaçando, com seu irmão mais novo que também tem TOC e muitas outras questões.

Achei interessante mostrar que o TOC não tem idade, o livro mostra em diversas personagens isso, inclusive no Docinho, irmão mais novo de Adam. O final do livro é muito surpreendente, quando acabei de ler tive que digerir um pouco tudo. Diversas vezes me senti agoniada lendo o livro, pois é como se estivéssemos nos pensamentos de Adam e participamos com eles das contagens e rituais.

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Algo que reparei  é que Adam se preocupa muito com as outras pessoas, e às vezes deixa até de cuidar de si para ajudar as outras. Ele é uma personagens que vai fazendo pequenas coisas com grande significado e nos mostra que com pequenos gestos podemos ajudar o próximo de uma forma enorme.

A leitura é bem leve, a diagramação ajudou muito com isso e as páginas vão passando rapidamente. A escrita da autora é sensacional, leve, mas ao mesmo tempo rica. É um livro que recomendo muito e que tem muito a nos ensinar.

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Suzy e as águas vivas

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Quando peguei esse livro não tinha expectativa nenhuma, nem a sinopse eu tinha lido, e foi a melhor escolha que fiz, pois fui surpreendida a cada página com sua história simples e encantadora.

Quem narra a trama é Suzy, uma garota de 12 anos que encontra-se atordoada pela perda de Franny, sua ex-melhor amiga, e pelo último momento que tiveram juntas. Após questionar sua mãe sobre a morte de Franny ela recebe a resposta de que “as vezes as coisas simplesmente acontecem”, não satisfeita ela se convence que ela foi morta por uma água viva e resolve provar isso sozinha.

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“Talvez, em vez de nos sentirmos como um grão de poeira, possamos lembrar que todas as criaturas nesta Terra são feitas de pó de estrelas. E nós somos as únicas criaturas que sabem disso.”

Como disse, a história é contada de forma simples, isso acontece muitas vezes quando existe a perspectiva de uma criança. Suzy está tentando entender muita coisa a sua volta, é uma garota extremamente curiosa, que enfrenta aquela fase em que garotas começam a se interessar por garotos e a aparência passa a ser uma prioridade, no entanto Suzy não chegou ainda nessa fase, ela ainda usa seu cabelo armado, roupas largas e por isso não se encaixa entre os populares do colégio. Algo que admirei muita na personagem é o fato dela continuar sendo ela mesma, e não ligar para o que os outros pensavam. Você vai se apaixonar pela personagem, mas algumas vezes vai pensar “não faça isso pelo amor de Deus”, no entanto vai ver que era importante Suzy fazer algumas coisas mesmo que erradas, pois ela é uma criança e é através desses erros que ela vai aprender.

Após a perda de sua ex-melhor amiga, percebe-se que Suzy tenta lidar com o luto, mas se culpa muitas vezes por acontecimentos passados. Ela decide que o silêncio é a melhor forma de lidar com isso e foca na teoria das águas vivas como até mesmo um refúgio, por isso assuntos como depressão, superação, falta de amizades e solidão são pautas importantes da história.

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O livro é construído no presente e através de flashbacks, feito de forma que o leitor não fique confuso. Podemos conhecer Franny através das lembranças de Suzy e sobre a amizade delas, nesses flashbacks ela se dirige à ex-melhor amiga, e não ao leitor como de costume. Composto de poucas personagens, permite com que exista certo envolvimento entre estas e o  leitor.

“É interessante como não-palavras podem ser melhores do que palavras. O silêncio pode dizer mais do que o barulho, da mesma maneira que a ausência de uma pessoa pode ocupar ainda mais espaço do que sua presença ocupava.”

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Apesar de simples, é extremamente interessante e cativante, aprendi muitas coisas com Suzy que é inteligente e tem ânsia de saber respostas. Vi uma outra perspectiva do mundo, mais inocente e talvez até mesmo mais bonito, pois muitas vezes complicamos coisas e fazemos disso algo tão grande que perdemos momentos que ao ver de um adulto não tem importância, mas ao olhar de uma criança pode ser magnífico.

Super recomendo essa leitura, que é rápida, o livro é pequeno e vai fazer você querer indicar para todos.

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Crescendo – Série Hush Hush

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Esse é o segundo livro da série, depois de muito tempo procurando ele em um preço baixo consegui encontrar e fiquei muito feliz. A resenha de Sussurro, primeiro da série, já no blog tem um tempinho, então para conferir é só vir AQUI.

Em Crescendo temos impasses para Nora e Patch ficarem juntos, os arcanjos estão ameaçando mandar Patch para o inferno caso ele continue sua relação com Nora e aparentemente o anjo não perdeu tempo e começa a sair com Marcie Millar, inimiga de Nora no colégio. Várias questões do outro livro estão de volta: Quem matou o pai de Nora? Quais segredos Patch guarda? Há alguma forma de Nora e Patch ficarem juntos?

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Nesse livro não há tanto romance, pois Nora e Patch passam a maioria da história separados, senti falta de ver cenas dos dois, pois eles são um casal que é possível ver faíscas quando estão juntos. Apesar do famoso clichê “Não podemos ficar juntos, pois você não está segura comigo” e de colocar Nora como mocinha em perigo algumas vezes, vemos também que Nora reage, não fica apenas em casa chorando e vai atrás do que acredita ou quer descobrir. Ela não fica parada esperando Patch vir salvá-la de tudo.

Vee, melhor amiga de Nora continua sendo uma personagem que trás todo o humor para a história e as cenas das duas são as melhores. Como disse na outra resenha queria muito que fosse uma personagem melhor desenvolvida pela autora. Com o foco em Nora, outras personagens ficam para trás e não as conhecemos bem, um exemplo é Scott, novo na história, não consegui me apegar a ele já que a autora peca um pouco em focar apenas na personagem principal. 

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A história é um pouco parada, senti que pode ser uma preparação para o próximo livro, pois o livro não desenvolve como esperei. Porém tudo vale a pena quando você chega ao final, com reviravoltas e muitas descobertas, conseguiu me deixar instigada para ler o próximo livro da série. 

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Gosto muito da diagramação do livro, pois a leitura fluiu de forma natural apesar da história um pouco parada e o que ajudou muito foi isso. A capa nos ajuda a visualizar Nora melhor e sempre imaginava a mulher da capa como sendo ela. Já quero ler o próximo livro e espero que não tenha uma história tão vazia quanto este.

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ba asssinaturacerta

Os 13 Porquês – Série

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Desde o dia 31 de março (sexta-feira), a internet não fala de outra coisa a não ser a nova série da Netflix “Os 13 Porquês”, baseada no livro do estadunidense Jay Asher que contém o mesmo nome. Não li o livro, por isso não posso fazer uma comparação, mas pretendo fazer algum dia, não logo, pois ainda estou no processo de digerir a série, não conseguiria passar pelas cenas novamente e espero conseguir fazer com que entendam esse sentimento ao longo dessa resenha.

A história é contada pelo ponto de vista de Clay, amigo de Hannah Baker, uma jovem que suicidou. No entanto, ela gravou 13 fitas contando o que a levou ao fim, essas fitas devem ser passadas para as pessoas que de alguma forma estão envolvidas aos acontecimentos que antecederam sua morte.

Terminei a série em três dias, vou confessar que achei o primeiro episódio muito adolescente e não me prendeu tanto, resolvi dar uma chance, fui assistindo e me viciei completamente. Só queria terminar logo e descobrir tudo o que aconteceu para que Hannah fosse capaz de tirar a própria vida. Assuntos muito importantes são abordados ao longo da trama como bullyng, o poder dos meios de comunicação, amizade, abusos sexuais, ensino médio, orientação sexual, suicídio e diversos outros. Se você não assistiu pode estar pensando quanta coisa é colocado em pauta, e sim, esse é um dos pontos para que essa história seja tão intensa e importante.

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Essas são as duas palavras que eu definiria a série:”importante“, pois depois que assistir vai refletir sobre todos esses assuntos, vai parar para pensar quantas vezes você foi Hannah Baker? Quantas vezes você foi um “Porquê” na vida de alguém e gerou sofrimento com uma ação ou palavra? O fato é que devemos refletir como isso pode impactar na vida de uma pessoa. Diversos acontecimentos são relatados, e começa com coisas que parecem bobas, como uma lista de quem é mais bonita ou não, uma foto vazada, no entanto isso é apenas uma granada que pode explodir e machucar seriamente.

Como dito acima, a série é “intensa“, assim como Hannah Baker. Uma das personagens define Hannah como “A garota era intensa, era muito drama”, só que esse “drama” não é bobagem, é necessário atenção com as pessoas, pelo o que está passando. Imagens fortes são mostradas, tanto que em alguns episódios existe um aviso da Netflix, as cenas são muito próximas do real, um retratamento ao que acontece por aí e que podem não sair da sua cabeça tão cedo, por isso vá preparado, é melhor ter estômago.

A medida que vai assistindo percebe-se o quanto as fitas estão afetando Clay, e pode ser que fique com raiva dele não escutá-las de uma vez. Algo que percebi é que no primeiro episódio Clay machuca sua testa e essa ferida fica até o final da série, provavelmente para que separássemos o passado do presente. Eu me apaixonei por essa personagem em específico, mas como disse, em alguns momentos senti raiva dele. Essa série mostra que não existe ninguém 100% bom, todos nós temos um outro lado, todos nós somos humanos.

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Você fica fissurado por descobrir o que ocorreu com Hannah e se envolve com as personagens, se coloca no lugar delas, a interpretação desses jovens atores está impecável, eu não mudaria nada no elenco escolhido. Uma trilha sonora sensacional e uma fotografia que te faz imergir ainda mais na história. A série é dinâmica, se mantém em um mesmo nível de excelência até o último episódio, o que a não deixa chata, no segundo episódio já muda sua visão de ser apenas uma série adolescente, para uma série que veio para mostrar ao mundo o que muitas vezes é ignorado.

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How To Get Away With Murder

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Se você não está afim ou não pode fazer maratona de How To Get Away With Murder, é melhor nem começar, porque eu garanto, nos primeiros minutos da série você já estará vidrado e parar é quase impossível.

How To Get Away With Murder é uma série do tipo policial e que sempre tem aqueles casos para serem resolvidos no tribunal. Até aí, você pode pensar que é como qualquer uma do gênero, no entanto eu garanto que não. A história gira em torno da vida pessoal e profissional de Annalise Keating, uma advogada de defesa criminal. Ela é professora da Universidade de Middleton e escolhe cinco de seus melhores alunos para trabalharem em seu escritório, como um estágio.

Durante as temporadas existe um padrão, em que há um caso maior a ser resolvido e “sub-casos” durante os episódios. Na primeira temporada o caso maior é sobre o desaparecimento de uma garota chamada Laila, esse caso no entanto afeta diretamente a vida dos alunos, Annalise e seus assistentes (Frank e Bonnie). Já no início do primeiro episódio, o que não é spoiler, aparece os alunos em uma floresta com um corpo, o que faz com que o telespectador fique intrigado de imediato.

É possível perceber uma grande evolução nos alunos de Annalise (Wes Gibbins, Connor Walsh, Michaela Pratt, Laurel Castillo e Asher Millstone). Existe um esteriótipo em volta do grupo nos primeiros episódios como o que não deveria ter entrado no grupo, o gay, a negra, a latina e o idiota, mas que são quebrados ao longo que vamos conhecendo suas personalidades e vendo suas ações. Os sentimentos por essas personagens vão sofrendo alterações, uma hora você ama algum, já em outro momento se pergunta o que ele está fazendo ali.

CHARLIE WEBER, LIZA WEIL, BILLY BROWN, MATT MCGORRY, AJA NAOMI KING, VIOLA DAVIS, KATIE FINDLAY, ALFRED ENOCH, KARLA SOUZA, JACK FALAHEE

Os atores são maravilhosos, já com Viola Davis no elenco, percebe-se a qualidade. A série toda tem uma fotografia mais escura trazendo a ideia de mistério. Algo que reparo são os figurinos, os de Annalise são sempre muito sofisticados e passa a imagem de uma mulher poderosa.

A narrativa é um ponto que chamou muito minha atenção, pois esta não é linear, muitas vezes começam com o final da história, algo que aconteceu no primeiro episódio pode ser desvendado na metade da temporada ou no final e existem diversos flashbacks, ou seja, é como se os roteiristas soubessem desde o início o que ocorreria em toda a temporada e criam grandes conexões entres os episódios.

Fato é que depois da primeira temporada imaginei como fariam uma outra tão boa à altura. E posso garantir, o nível da série é altíssimo, que fará sua cabeça borbulhar com questionamentos, criará discussões entre os amantes e te prenderá até o último segundo. Depois dessa resenha eu nem precisaria falar que indico muito não é mesmo?

Além da resenha você pode conferir o vídeo que gravamos também sobre a série, e se gostar, inscreva-se no canal!

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O Menino Feito de Blocos

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Uma vez li em algum lugar que leitores são geralmente mais empáticos, pois em meio às histórias eles aprendem a sentir o que as personagens sentem, a tentar entender o universo delas, e “o menino feito de blocos” fez com que eu tivesse certeza sobre isso.

Logo que recebi esse livro fiquei muito curiosa pelo fato de se tratar de autismo, afinal, sempre foi um assunto que me despertou certa curiosidade. A história é sobre Alex que é pai de Sam, um garotinho autista. Alex não entende muito bem o mundo de Sam, o que desgasta seu casamento, até que ele se vê fora de casa, morando com seu melhor amigo e sem emprego. Tudo muda quando ele resolve começar a se aproximar de seu filho e com a ajuda do jogo Minicraft isso começa a se tornar possível.

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“A vida é construída sobre as pequenas coisas”

Eu nunca tive nenhum contato com crianças ou pessoas autistas, por isso me vi em um mundo totalmente novo durante a leitura. Imagino que foi dessa forma que Alex tenha se sentido ao descobrir o porquê de seu filho não ser como as outras crianças, ele foi jogado em um mundo que não conhecia, o que provavelmente foi assustador. No entanto, para Sam deve ser mais assustador ainda, tente imaginar viver em um mundo onde suas emoções são mais afloradas, tudo é mais intenso, e qualquer coisa que saia do seu controle te deixe desesperado? Nós podemos tentar imaginar isso, mas viver na pele com certeza é dez vezes pior.

Ao ler o livro, ver a perspectiva do Alex e o comportamento de Sam, fez com que eu vivesse diversas emoções como desespero e alegria. O livro todo houve grande oscilação em meus sentimentos, pois a cada página, a cada dia passado, nunca se sabia como Sam agiria, se haveriam progressos ou retrocessos. E Alex disse isso várias vezes, pois se algo inesperado ocorresse no dia a dia de Sam, a reação dele não poderia ser prevista, o que o deixava tenso de passar até mesmo algumas horas com o filho.

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O mundo para Sam já era difícil, no entanto alguns fatos fazem com que isso o torne ainda pior, como  o fato de sofrer bullying na escola. Apesar da inocência em crianças, estas podem ser cruéis também e Sam por ser tão fechado em seu mundo sofria com isso, agravando o fato dele não gostar da escola e socializar com outras pessoas.

Através da história percebi que autistas são pessoas como nós, no entanto, com uma sensibilidade e inteligência extrema. Isso é facilmente notável quando Sam começa a jogar Minicraft, ele cria monumentos e ao passar do tempo vai ficando cada vez melhor. No jogo ele pode criar o próprio mundo, tem o controle das peças, o que o torna mais forte e confiante para viver no mundo real. Alex muitas vezes compara o mundo real com o jogo para ajudar Sam em certas situações, e em uma dessas, ele disse uma frase que me marcou muito:

“A vida é uma aventura, não um passeio. É por isso que é difícil.”

Apesar de falar muito de Alex e Sam que foram duas personagens que amei, a história contém outras importantes como Jody (mãe de Sam) e Dan (melhor amigo de Alex). As personagens são muito bem construídas, assim como o enredo e a leitura fluiu facilmente, apesar de não ter sido rápida, pois saboreei cada página e esse universo novo.

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O livro é todo inspirado na experiência de vida do autor com seu filho, o que o torna ainda mais interessante.  Eu recomendo demais, principalmente para aqueles que assim como eu, nunca tiveram contato com pessoas autistas.

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Achados e Perdidos

1O livro Achados e Perdidos me chamou atenção primeiramente por ser sobre uma garotinha de 7 anos, o que achei um tanto peculiar, afinal, é um livro para jovens e adultos com uma criança protagonista. Mais tarde fui perceber que não só esse fato é peculiar, mas tantos outros ao decorrer da história.

Millie Bird tem apenas 7 anos, mas apesar da pouca idade já passou por momentos difíceis, entre eles, a morte de seu pai. A garotinha é obcecada pelo assunto “morte” e  carrega um caderno onde anota tudo que já viu morrer, é o chamado “livro das coisas mortas“. Após a morte de seu pai, Millie vai com sua mãe em uma loja de departamentos à passeio e é abandonada ali. Ela então espera que sua mãe volte e em meio a isso tudo conhece Karl, o digitador, um senhor com 87 anos, e Agatha Pantha, uma senhora de 82 anos que parou de viver depois da morte de seu marido, e passou apenas a existir escondida do mundo.

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“Como envelhecemos sem deixar a tristeza tomar conta de tudo?”

A história desencadeia uma reflexão no leitor a respeito de diversos assuntos, entre eles as fases da vida. Percebe-se que as personagens estão no começo e fim, Millie é uma criança e Karl e Agatha são idosos. Millie apesar da pouca idade, já sabe muito sobre o mundo e é capaz de vê-lo de forma simples, trazendo diversas lições ao leitor. Já Karl e Agatha mostram que apesar da idade avançada ainda têm muito o que fazer, encontrar amores, viver aventuras, pois não existe idade certa para isso.6

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É possível viver através de Millie novamente a infância, ela como qualquer criança é curiosa, está naquela fase em que pergunta sobre tudo e usa sua imaginação quase que a história toda, mas algo que parei para refletir é o tamanho das cicatrizes deixadas pela morte do pai e abandono da mãe, algumas vezes senti como se ela precisasse de ajuda psicológica, pois não tinha atitudes de uma criança comum em determinadas situações. Cada personagem carrega suas perdas e dores. E é aí que o título começa a fazer sentido, ao perceber que cada personagem perdeu algo na vida, mas também encontraram outras, e isso acontece na vida real, há coisas que se vão e outras que você encontra, são achados e perdidos da vida.

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“Ele tá morto, só isso. Ponto final. Você tá vivo e depois tá morto e é isso, acabou.”

Muitas vezes o livro toma rumos inesperados e me surpreendeu muito, no entanto achei que a leitura não fluiu tanto, demorei um pouco para terminar o livro, pois achei algumas partes cansativas. A capa do livro é linda e já trás consigo a mensagem de ser um livro com assuntos um pouco mais pesados, a serem refletidos. Apesar de não ter fluido como esperava, recomendo o livro por ser algo muito reflexivo.

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